
Em 9 de novembro de 1889 a elite brasileira dança no último baile do Império, na Ilha Fiscal. Seis dias depois o país amanhece República. O romance segue o que essa mudança de regime produziu no Rio Grande do Sul, através da história de uma família e das que a cercam — onde ela não chega como notícia distante, mas como uma reordenação de tudo: das lealdades, das terras, das famílias, do que se pode dizer em voz alta.
O primeiro capítulo dá o nome ao que veio. A promessa de progresso linear, formulada por Comte, industrializada por Saint-Simon, poetizada por Verne e exportada pelo imperialismo europeu, entrou na bandeira brasileira como Ordem e Progresso. Mas a racionalidade do progresso precisava de violência irracional, e a ordem vinha antes. Deodoro da Fonseca, amigo pessoal do Imperador, participa da sua deposição. Floriano Peixoto e Júlio de Castilhos formam a aliança que imporá ao estado um regime que ignora a fronteira entre o político e o pessoal.
O positivismo castilhista reestrutura instituições, escolas e polícias. O extremismo partidário transforma vizinhos em inimigos: o assassinato de Pedro Manuel, entre outros, mostra como a disputa nacional desce ao nível da estância e da rua. Do lado federalista, Joca Tavares organiza a resistência à ditadura. Muitos emigram forçados para o Uruguai, de onde voltarão armados.
Não é uma crônica de batalhas. É a história do que acontece com as pessoas quando um regime se instala sobre elas em nome de um ideal que não tem intenção de cumprir. As mentiras, as traições e a violência que alicerçaram a nova ordem deixam marcas na identidade do pampa que o livro segue uma a uma.