C Cadernos de Antônia1889 — 1930

As duas famílias do livro

A trilogia é um romance. Os acontecimentos públicos da Primeira República — as datas, as batalhas, as figuras históricas — são documentados. A história da família é ficção construída sobre esse fundo.

As personagens da trilogia: quem é irmão de quem, quem está de que lado, e quem atravessa os três volumes. Sem contar o que acontece.

No princípio há um avô: o comendador, morto em 1888, um ano antes da República. Erudito perdido no meio do pampa, com uma grande biblioteca na fazenda. Conservador, recusou a Guarda Nacional quando o convidaram: só livros. Não aparece nos livros, é apenas mencionado — mas a família inteira vem dele.

Deixou quatro filhos: Pedro Manuel, Antônio Elias, Oscar Ângelo e Tomás. Os dois primeiros casaram com duas irmãs.

Pedro Manuel e Amália

Fazenda em Piratini. Quatro filhos: Almerinda, Aurora, Afonso — o Fonso — e Juca.

Pedro Manuel é o irmão mais velho, e o primeiro a morrer. Vai desarmado, levando os cavalos que lhe foram exigidos, e o filho Afonso é obrigado a olhar. É um assassinato exemplar: o recado que o Fonso leva para casa é que desapareçam, ou morrem todos.

Antônio Elias e Francisca

Fazenda em Arroyo Blanco, com terras até Vichadero, do outro lado da fronteira. Quatro filhos: Octaviano, Olinto, Antônia — a Tônia — e João Manuel, o Maneco.

Os outros dois irmãos

Oscar Ângelo e a mulher, Eunice. Partem de carreta para Bagé quando a ameaça se estende a toda a família.

Tomás resolve ficar em Piratini. Alguns dos homens que mataram Pedro Manuel ficaram chocados com o que fizeram — a traição, o homem desarmado, o filho obrigado a olhar — e apresentam-se a ele como testemunhas, para que houvesse julgamento.

Os dois casamentos

As duas famílias iam ligar-se duas vezes: a filha mais velha de uma com o filho mais velho da outra, e a segunda com o segundo.

Almerinda casa com Octaviano. Esse acontece, e ela não o queria: amava outro.

Aurora era noiva de Olinto. Esse não. Antônio Elias desfaz o noivado do próprio filho para casá-lo com Maria Dolores, filha de um caudilho uruguaio, em troca de um batalhão de homens dele para lutar ao lado dos maragatos. Não é só vingança pelo irmão morto: eles sabem o que Castilhos significa para o estado. O pai vende o casamento do filho por um batalhão, e Aurora perde o noivo para a guerra antes de perder qualquer coisa na guerra.

Antônia, a dos cadernos

A irmã mais velha da casa de Arroyo Blanco. Guarda cadernos de capa de couro com as iniciais lavradas e escreve neles à noite: alegorias que misturam o imaginário do pampa com a história do país. Lê-as para o Maneco antes de dormir, e ele reclama que na história não acontece quase nada e que preferia dromedários.

Num dos cadernos ela cria um personagem: um filho rancoroso e gago, mandado estudar em São Paulo, que volta em 1889 decidido a tratar a fazenda como propriedade sua, porque as ovelhas e as cabras o seguiriam. É deste site que ela dá o nome.

Em volta

Gabriel — jovem romântico de Piratini. Apaixonado por Almerinda, e ela por ele. É por causa dele que ela não queria o casamento com Octaviano. O que lhe acontece depois atravessa os três volumes.

Abela — menina de cinco anos, amiga imaginária de Iracema, a filha de Almerinda e Octaviano. E é a República: nasceu com ela, em 1889, e tem cinco anos em 1894.

Padre Cunegundes — percorria o Rio Grande do Sul montado numa avestruz, pregando de estância em estância o seu Evangelho de Penas. É com ele que aparecem pela primeira vez as aves de Stynphalia, da mitologia grega, que atravessarão toda a obra e chegarão, muitos anos depois, a Um Affair de Antiquários.

Nicomedes — figura real. Uruguaio, traiu todos os que o ajudaram no Uruguai e na Argentina, passou ao Brasil e recebeu posto de general nas milícias de Castilhos.

Leda — a prima que vai a Porto Alegre falar com Castilhos para conseguir a escolta que permite à família atravessar a fronteira viva.

Orides — capataz de Arroyo Blanco, fiel a Antônio Elias.

Os históricos

Júlio de Castilhos — o Doutor. Governa o Rio Grande do Sul a partir de 1891 e, aliado a Floriano Peixoto, impõe ao estado um regime que ignora a fronteira entre o político e o pessoal.

Honorina — mulher de Castilhos. Escreve cartas sobre sociedades secretas e sobre Júlio Verne, que o marido despreza como fábulas sem valor cívico, mandando-a ficar em Comte.

Floriano Peixoto — ajudante-general do exército no último dia do Império, ministro da Guerra três dias depois. Aliado de Castilhos, sem impasse nenhum entre os dois.

Deodoro da Fonseca — amigo pessoal do Imperador, e quem o depõe.

Joca Tavares — lutou na revolução de 1835 e comanda os maragatos em 1893, já velho e doente. Guerreiro, estrategista, generoso. Abriu mão dos seus títulos de nobreza.

Gumercindo Saraiva — entra com as forças vindas do Uruguai.

Silveira Martins — homem de salão, de grande vaidade, disputava mulheres com Deodoro, que perdia sempre.