
Nossa Vendeia, 1793-1893, em parceria com Euclides da Cunha
Euclides da Cunha chamou Canudos de a nossa Vendeia. A frase é tomada aqui como imagem dialética no sentido exato de Walter Benjamin, e é o fio condutor do livro. Se a França fez sua revolução em 1789 e o Brasil em 1889, então a Vendeia de 1793 tem correspondência em 1893. A Revolução Federalista e Canudos são lidas como duas fases de uma mesma Vendeia brasileira, apresentadas à opinião pública sob a mesma justificativa: revoltas de restauradores monarquistas ameaçando o progresso. Sob essa lógica de bons contra maus, a violência do Estado ficou legitimada.
As Notas críticas apresentam a teoria benjaminiana da história e do conhecimento a partir de suas raízes filosóficas, antropológicas e linguísticas. A I Parte trata do ideário e da ideologia, do sublime, do iluminismo, de Pascal e Burke, da aliança castilhista-florianista e da violência fundadora como legitimação. A II Parte percorre as teses sobre o conceito de história. A III Parte aplica-as à Origem da República brasileira. Um Excurso, O anão escondido, abre para a tradição hebraica-judaica, o Vav e a semelhança, o nomear, o tagarelar e o espaço lógico do Bereshit. A IV Parte, A pós vitória da lei, chega ao presente.
O livro traz na página das abreviações a chave inteira que usa: GLT, Gramática Lógica da Torah; ATF, aspiração totalitária do fragmento; UHM, unidade histórico-metafísica; UMTL, unidade do movimento total da linguagem; SUII, substância única, infinita, indivisível; THJ, tradição hebraica-judaica; e os três autores, Spinoza, Wittgenstein e Benjamin. É a aplicação integral de um aparato a um objeto histórico documentado, seção por seção, ao longo de 361 páginas.
O Epílogo, O Vaza-Barris e o deserto, e a Conclusão mostram como a prática política republicana se afastou de seus ideais democráticos e se consolidou como história natural de opressão e exclusão. Resta-nos escovar a história a contrapelo.
Abstract e overview do argumento, para leitura e citação.